5 de janeiro de 2011

Dilma Rousseff e os documentos da ditadura militar

O carimbo do temível CIE
Rio de Janeiro - Por Carlos Fico

Estou otimista quanto à consolidação do processo de abertura dos documentos da ditadura militar no novo governo de Dilma Rousseff. A principal razão para isso está no fato de que, quando chefe da Casa Civil, Dilma assinou com o presidente da República um decreto determinando a transferência para o Arquivo Nacional dos acervos do SNI (Serviço Nacional de Informações), do Conselho de Segurança Nacional e da Comissão Geral de Investigações: é de se esperar que, agora, na Presidência da República, tenha uma postura afirmativa em relação às agências do governo ainda renitentes (Itamaraty e comandos militares).

Duas atitudes de Dilma Rousseff me parecem importantes. No dia anterior à sua posse, ela mencionou a necessidade de uma mea culpa da parte da Presidência da República e dos militares a fim de que se constitua uma “narrativa oficial” sobre as mortes e desaparecimentos durante a ditadura. Isso é totalmente novo: embora o governo brasileiro, desde FHC, tenha reconhecido suas responsabilidades em relação às vítimas da ditadura, as Forças Armadas brasileiras nunca o fizeram e, ao contrário, continuam comemorando, na caserna, a “Revolução”.

Isso é um passo importante para a subordinação dos militares ao poder civil — como deve ser em uma verdadeira democracia. Aberrações já aconteceram e nunca foram punidas. Em 2007, um general ministro do STM defendeu um coronel envolvido “apenas” com tortura (e não com assassinatos, como apontou ser o caso em relação a ministro do governo Lula) e disse que o governo já havia gasto dinheiro demais “à procura de osso”. Nada aconteceu com o general da reserva Valdésio Guilherme de Figueiredo, esse personagem lamentável.

Por isso, é muito importante a notícia de que o general José Elito, atual ministro do Gabinete de Segurança Institucional, foi chamado pela presidente Dilma a dar explicações sobre declaração equivocada (ele disse que o desaparecimento de presos políticos durante a ditadura militar não é motivo de vergonha). É preciso que os militares não se sintam uma força autônoma em relação ao governo e, sobretudo, em relação à necessária proeminência do poder civil. Infelizmente, desde o fim da ditadura militar, quase todos os governos civis foram lenientes em relação às insubordinações de alguns militares.

Só a proeminência do poder civil poderá garantir que os arquivos dos órgãos de inteligência militar da ditadura que ainda não foram abertos cheguem ao Arquivo Nacional. A Aeronáutica enviou os documentos do CISA (Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica) ao Arquivo Nacional. Ainda que expurgados, são importantes. A iniciativa deveria servir de exemplo aos comandantes do Exército e da Marinha para que também abram os papéis do CIE (Centro de Informações do Exército) e do CENIMAR (Centro de Informações da Marinha).

A documentação histórica é certamente essencial para que possamos enfrentar esse passado traumático, mas a iniciativa da atual presidente – no sentido de negociar o mea culpa dos militares – também deve ser saudada como uma novidade positiva em relação aos últimos presidentes.

6 comentários:

  1. Adorei o texto!!!! Sou estudante de História e foi de grande valia encontrar esse blog!!! parabens!!!!

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  2. Olá, sou estudante de história. Adorei seu blog e com certeza será de grande utilizade para mim.
    Com certeza é um grande passo e uma ótima atitude da presidente Dilma.
    Acho que enfrentar o trauma do passado é feito através de um trabalho de luto em que vejo a historiografia com um papel essencial para provocação de uma reconciliação com nosso passado.
    Parabéns pelo blog.

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  3. Não desejo me reconciliar com o passado ele me enoja! a exterminação dos indios é uma lastima, a escravidão um horror , a ditadura uma desgraça e essa republica meia tigela não ferve, essa independencia ainda rende aposentadoria para descendente de Tiradentes ...quero viver o presente rastreando esse passado e fazendo uma lavagem nos quatro canto deste país para que aqueles da favela que só conseguem chegar nas cadeias, não sejam levados pelas enchentes e abraçados pelas drogas, cheguem depressa na porta onde a minoria entra. Pisem no solo perene e bebam da mesma agua doce , digitem sua liberdade na altura da sua dignidade humana.

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  4. Com certeza, seria muito importante para todos nós brasileiros.Eu adoraria ter acesso aos documentos históricos da ditadura militar.Eu sou apaixonada pela história do regime militar,e quero ter acesso pra pesquisar,e saber quem foram os milicas safados que mataram muitos inocentes.É fundamental estudar,pesquisar e saber tudo sobre a época mais tirana da história brasileira.Eu preciso saber de tudo,pois não devemos ficar de fora do contexto político-social de um país.

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  5. gostaria tambem de saber se aquela gente que matou os militares e civis da época, esquerdas, ladrões de bancos, assaltantes, que agora dizem defender ("entregar ") o Brasil, tambem vão abrir suas fontes e contar porque mataram gente do bem , como o Mário Kosel Filho nasceu em 6 de julho de 1949, em São Paulo. Era filho de Mário Kosel e Therezinha Vera Kosel. Tinha uma irmã, Suzana Kozel Varela, e um irmão, Sidney Kozel, com 14 anos de idade. Seu pai era gerente na Fiação Campo Belo, onde ele também trabalhava, antes de ingressar no Exército. À noite, freqüentava as aulas no Instituto de Educação Ênio Voss, no Brooklin. Cursava o antigo colegial. Era muito prestativo, gostava de ajudar a todos, principalmente os mais necessitados. Tomava parte do Grupo Juventude, Amor, Fraternidade, fundado pelo padre Silveira, da Paróquia Nossa Senhora da Aparecida, no bairro de Indianópolis, do qual faziam parte mais de 30 jovens. O símbolo do grupo, uma rosa e um violão foi idealizado por Mário Kozel, que era carinhosamente chamado de Kuka..... e tem outros que morreram e será que tambem são vitimas culpadas e os PTralhas não são??????

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  6. Eu gostaria tambem de ter acesso aos documentos da época, não só dos militares, mas tambem, do pessoal da esquerda, saber para onde foi destinado todo aquele dinheiro que foi roubado pela dilma e seus comparsas!!! Comissão da (in)verdade tem de ser para ambos os lados!!!!!!!!

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