6 de julho de 2011

A carreira do professor de história

Rio de Janeiro - Por Carlos Fico

Muitos cursos de graduação em História privilegiam a formação do pesquisador apesar de a maioria dos estudantes acabar atuando, depois de formados, como professores do ensino fundamental. Existe até mesmo uma percepção preconceituosa de que a pesquisa é a atividade mais nobre e o importante é a produção de conhecimento pelo historiador, a carreira acadêmica, associada ao ensino universitário.

Assim, é frequente que a “formação pedagógica” seja um responsabilidade específica das faculdades de Educação. Quando eu fiz a graduação, havia o curso de bacharelado, que todos fazíamos, e as disciplinas da Educação, que deviam ser cursadas por quem quisesse fazer a licenciatura. Para tornar-se bacharel em História também era preciso redigir a monografia de bacharelado e, no caso da licenciatura, além das disciplinas da Educação, havia a necessidade de se estagiar em alguma escola. Creio que, na essência, isso pouco mudou.

Estranhamente, não havia qualquer contato entre a faculdade de Educação e o departamento de História. Era como se nós aprendêssemos um conteúdo histórico a ser ministrado segundo as técnicas ensinadas pela Educação.

Quando cheguei à faculdade de Educação fiquei muito espantado com o tecnicismo que imperava (estou falando do longínquo ano de 1980). Havia uma disciplina que apenas apresentava as leis sobre o ensino! Desisti da licenciatura quando percebi que aqueles conteúdos eram formalistas e pouco críticos. Eu também não tinha planos de atuar no ensino fundamental, para o qual não me sentia preparado ou vocacionado.


Creio que a existência dessas duas habilitações, nesses termos, é um equívoco total. Entretanto, a ideia de que o ensino e a pesquisa são indissociáveis não deve encobrir a obviedade de que muitos estudantes de História serão professores e não farão pesquisa em termos estritos. É preciso, portanto, que os departamentos de História assumam, como uma tarefa que lhes é própria, a formação pedagógica. Isso significa, por exemplo, extinguir definitivamente a ideia de “conteúdos históricos” a serem “repassados”.


No meu currículo ideal para um curso de graduação em História, as disciplinas deveriam basear-se em um tripé que amparasse (a) o debate historiográfico, (b) as reflexões teórico-conceituais pertinentes ao tema e (c) o debate sobre o ensino das questões em pauta. Ou seja, para mim não deveriam existir as tais disciplinas de formação pedagógica e, muito menos, disciplinas obrigatórias como Metodologia da História. Todo professor universitário de História deveria ser capaz de debater o ensino e os aspectos teórico-metodológicos relacionados à sua disciplina. Claro que isso não não impediria a oferta de eletivas específicas sobre teoria, metodologia ou ensino.


O professor de História do ensino fundamental - no Brasil e em muitos outros países - raramente faz pesquisa (no sentido da produção intelectual de dissertações, teses, livros e artigos de História a partir de fontes primárias). Mesmo que ele tenha interesse nessa atividade, dificilmente haverá tempo para tanto. No Brasil e em outros países que ainda não resolveram o problema do ensino básico e fundamental, as condições materiais – especialmente o salário – também limitam qualquer iniciativa de pesquisa.


Isso não significa que o futuro professor possa dispensar a formação teórico-conceitual e historiográfica. Muito ao contrário. Nada mais tedioso para crianças e adolescentes do que um professor “conteudista”, que não domine as diversas leituras historiográficas e que não saiba apresentar os “bastidores” (teóricos e  metodológicos) da produção do conhecimento.


Quando escrevi no Brasil Recente, semana retrasada, sobre a carreira do historiador, alguns leitores viram como elitista a trajetória que descrevi: o bacharelando que passa imediatamente para o mestrado, ingressa no doutorado e só vai tentar seu primeiro emprego depois de se tornar doutor - uma espécie de "bolsista profissional".


O tema me ocorreu por causa de uma discussão que tive na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Um dos membros do Conselho Técnico-Científico da Educação Superior levantou a seguinte questão: como é possível que um doutor, formado em um programa de pós-graduação bem conceituado pela Capes, seja reprovado em um concurso para professor universitário? A Capes, como o próprio nome diz, não investe apenas na formação de pesquisadores. Eu argumentei que nem todo pesquisador é um bom professor, mas não deixa de ser um problema a questão levantada pelo colega do Conselho.


O ideal seria que todos fôssemos ótimos professores e excelentes pesquisadores. Isso é impossível. Precisamos, ao menos, ficar atentos. O pesquisador deve se preocupar com a divulgação científica e não ter preconceitos em relação ao uso das novas mídias e das redes sociais. Também não deve ter medo de escrever para públicos diferentes: por exemplo, são raros os livros didáticos escritos por historiadores universitários. Do mesmo modo, eu acredito que o professor de História do ensino fundamental somente terá uma atuação realmente crítica desde que saiba destrinchar os meandros (teórico-metodológicos, conceituais e historiográficos) da pesquisa. É nesse sentido que se pode falar em indissociabilidade do ensino e da pesquisa.

31 comentários:

  1. Excelente texto, remonta questões que estão sendo pouco debatidas, num momento em que os olhares estão voltados para a profissionalização do ofício, questões mais imediatas são deixadas de lado...

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  2. Realmente um excelente texto. Parabéns!

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  3. Carlos, foi vc foi ao ponto; meus cumprimentos. Divulgarei.

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  4. Tudo bem discutir a produção do conhecimento, as teorias da história. E o conteúdo específico? Não deveria também ser priorizado? Saber pouco sobre a Revolução Francesa ou Russa não impediria o professor de exercer seu ofício de forma minimamente razoável? Sinto falta em minha formação de conhecimento específico, pois fiquei estudando teoria o tempo todo. Como na área de letras, onde se discute teoria literária até o esgotamento, sobrando pouco tempo para se discutir de forma cerrada as obras literárias, que nem são lidas mais.
    Como resolver esse dilema?
    jardel

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  5. Luis Fernando Ronchi9 de julho de 2011 18:25

    Sou exemplo vivo da dificuldade do professor da educação básica que tenta se aventurar pelos caminhos da pesquisa. Quando fui solicitar uma licença não remunerada para realizar meu mestrado em História, a funcionária do RH do núcleo de educação de minha região "sugeriu" que eu pedisse demissão se quisesse estudar.Além do mais, não pude sequer concorrer a bolsas por ter vínculo empregatício. Parece que governos, universidades e agências de fomento a pesquisa trabalham deliberadamente para que o professor da educação básica seja sempre um reprodutor de verdades acabadas.

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  6. É muito importante levantar esse debate. Me formei em História em 2004, mas mesmo completanto meu curso de bacharelado com disciplinas da licenciatura, tive muitas dificuldade em sala de aula, acredito que faltava-me "didática". Achei que resolveria isso como o curso de pedagogia, que agora faço. Ao contrário do curso de História (na minha época), o foco do curso de pedagogia é o de formar professor-pesquisador. Concordo que as faculdade de história precisam ter uma relação de maior interação com os Centro de Educação.

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  7. Eu achei o texto muito informativo. Eu cursei a graduaçao de Historia na Gama Filho de 2003 a 2006, neste ultimo ano eu cancelei a minha matricula, retornei neste ano, e percebi muitas mudanças na grade, como as Oficinas obrigatorias,que dá enfase ao ensino de historia assim como o curso de Estagio, q se preocupa mais com o aluno na forma de ensinar historia na sala de aula, além de obrigar o universatario a conhecer o ambiente de sala de aula. Portanto, percebo q pelo menos na Gama Filho essa lacuna no campo pedagogico está no caminho certo, tem seus erros, mas há um projeto em evolução

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  8. Concordo plenamente. Realmente é muito difícil conciliar o ser pesquisador e o ser professor de ensino fundamental/médio. Acho que os cursos de graduação deixam muito a desejar na parte didática. A gente aprende a lidar com a sala de aula na "marra" mesmo, na vivência do dia-a-dia. Com relação ao outro texto sobre ser pesquisador em história, eu sinceramente não me vejo nesta carreira. Acho que precisa ter dedicação integral e não dá um retorno imediato. É muito trabalhoso e isso me desanima. Tenho amigos que estão se sacrificando muito no mestrado e eu, dando aulas, tenho um retorno financeiro melhor que o deles. Me identifiquei com a sala de aula (não completamente) e pretendo aproveitar minha graduação p fazer cursos de especialização em outras áreas.

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  9. O texto é muito bom. Porém, como conciliar professor do ensino básico (fundamental e médio)-pesquisador, se os próprios cursos de graduação são extremamente deficientes em conteúdo histórico e teoria, e os cursos de mestrado são cada vez mais rasos em aspectos teóricos e metodológicos? É lamentável a situação da Educação no Brasil como um todo. Abraços de um professor de História aposentado.

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  10. O Mestrado serve para qual finalidade, nessa "ditadura" do "Doutorado"? Na maioria dos concursos, quem passa, são "doutores", e ninguém seleciona "pedagogicamente" os candidatos.

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    1. Oi, chê, A resposta que vc. deu à sua interrogação já está sendo ultrapassada. A nova "dita-cuja" se chama PÓS-DOC (hi, hi, hi)...

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  11. São muitas as dificuldades de um professor do Ensino básico,mas enumerarei duas que considero o nó que governo nenhum quer enfrentar e resolver:os baixíssimos salários que nos obriga a buscar cargas-horárias extenuantes e as próprias cargas-horárias semanais em sala de aula e os trabalhos nas madrugadas,de planejamentos e correções de atividades.Com que tempo vamos repensar nossas práticas?Aqui no Estado do RN,estamos em greve há mais de 2 meses,para ver se a Lei do piso Nacional é cumprida.Ontem,a greve foi considerada ilegal,e o governo fala que lhe cabe agora cumprir a LEI, cortar salários e punir grevistas!! CUMPRIR A LEI??Sou professora licenciada em História há 23 anos.Tenho especialização em geografia desde 1993,mas não ganho como tal porque,por incrível que parece saio perdendo com isso, já que me aproximo da reta final do exercício de minha função e minha progressão vertical me puniria em termos financeiros.É muita história que explica esses nós apertados das mazelas da educação pública no meu Estado e Brasil.

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  12. ótimo texto e é sempre bom os comentários com experiências pessoais..parabéns

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  13. Só faltou falar uma coisa: boa parte das vagas de mestrado e doutorado disponíveis nas universidades brasileiras são lugares marcados...ou seja, não há oportunidade para quem quer se especializar.O meio acadêmico infelizmente ainda é elitista!

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  14. Sophia
    Concordo plenamente blog_humanas as seleções para mestrado e doutorados são extremamente excludentes e elitistas.A pesquisa é só para a elite intelectual, aos disprivilegiados economicamente restam a tortuosa sala de aula.

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  15. Realmente, conciliar ensino e pesquisa é difícil. Salvo se sua instituição conceder afastamento remunerado para estudos, como acontece aqui no DF, se é que você não perca alguma coisa em seu salário. Penso que o ideal é se fazer uma pós graduação que concilie sua vontade de aumentar seus conhecimentos e tentar aplicar isto em sala de aula.

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  16. Excelente reflexão sobre o ato de aprender e ensinar história neste país de tanta diversidade e de dificuldades ainda maiores. Cabe aos historiadores a superação da dicotomia entre ensino e pesquisa. Só podemos ter bons professores se tivermos bons pesquisadores.

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  17. Quanto ganha um pesquisador em história???A pesquisa é para as elites.Sala de aula é para a maioria do povo.

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  18. Nos cursos de Licenciatura falta estudar a Gestão escolar. Por isso muitas pessoas ficam perdidas dentro da escola: tem conteúdo mas não sabem como trabalhar dentro de uma proposta educativa, coletiva, singular. Já temos condições de pensar na Licenciatura como especialização: sim, dois anos de estudo para trabalhar 30 anos na Educação. A formação do professor é o caminho para a inclusão da diversidade e não um monte de leis impositivas que fazem da escola o lugar que resolve tudo na sociedade.

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  19. Prefiro pensar o professor como reflexivo. A pesquisa demanda um tempo que o professor que investe na sala de aula não tem. Mas este professor tem condições de fazer cursos, ler artigos, livros e se atualizar.
    Neste sentido, o ensino não se dissossia do conhecimento que advém da pesquisa. Mas sejamos realistas: professor da Educação Básica é professor da EB e pesquisador é pesquisador.

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  20. Boa tarde,

    Excelentíssimo Senador Alvaro Dias, nesta manhâ me deparei com uma notícia que me fez pensar. A nossa Presidente Dilma diz que fez um acordo para mandar jovens brasileiros para estudarem fora do país. Certamente estes jovens não são da rede pública de ensino, pois estes não tem condições nem para entrar nas faculdades federais, como irão estudar fora, se o ensino no Brasil não os prepararam para isso? Não conheço ninguem que tenha terminado seus estudos no ensino público falar inglês fluente!

    Tenho dois filhos, uma de 14 e o outro de 12 anos. No ano que vem minha filha irá cursar o nono ano, antiga oitava série, gostaria muito que ela passasse na prova do Cefet, mas pra isso terei que colocá-la em um curso preparatório, porque o ensino no meu município é muito ruím, para o senhor ter ideia, ela ainda não tem professor de Química em nem de Física, que são as matérias pricipais nas provas do Cefet. Senador, como minha filha, e os filhos de muitos outros brasileiros, irão poder ter uma profissão se o ensino público é tão defasado?

    Não consigo entender pra que tantas reformas ortográficas, que só servem para deixar nossos professores desqualificados, pois estes pagaram suas faculdades com muito sacríficio para mais tarde descobrirem que tudo que aprenderam é errado. Isso não prova preoculpação com a educação.

    Sou professora de História, me formei em 2007, mas nunca atuei na área, gostaria muito, contudo o sistema não cria oportunidades para nós, não podemos nem confiar nos concursos públicos, nos quais só entram que tem um bom conhecimento ou bastante dinheiro.

    Estamos vivendo nos dias atuais uma péssima experiência aqui no município de Rio das Ostras, que abriu vagas para concurso que começou desde de março deste ano e foi suspenso por suspeita de fraude, e o prazo para esclarecerem já expirou, e até agora não dão nenhuma satisfação para os candidatos.


    Por favor Senador Alvaro Dias, gostaria que o senhor pensasse junto comigo; se pra ser prefeito e veriador de uma cidade o cidadão não tem que morar naquela cidade? Então porque que quando abrem vagas em concursos dos municípios vem gente de todo o país? Isso mexe com a demografia, quando as pessoas se mudam de suas cidades para outra, quando não, estas pessoas gastam seus salários em outras cidades onde resídem, salálirios estes pagos com o dinheiro arrecadado dos impóstos de um município para se gastar em outro.
    Seria melhor deixar os concursos federais abertos para todos, porque estes abrangem nacionalmente, seria mais justo e coerente, o senhor não acha?

    Espero poder contar com vossa influência no cargo que exerce, para levar em pauta questões que acredito não serem apenas minhas, que são de vários brasileiros que, talvez, por não acreditárem mais na politíca do Brasil, não se fazem ouvir.

    Att.
    Patrícia Lima.

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  21. eu tenho 35 anos e tenho vontade de ser professora de historia por onde posso começar?

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    1. A paixão é tudo e ainda não há ensinamento para isso. Faça dar certo. Apesar de tudo, podemos levar novas ideias para as aulas de historia, podemos levar a cultura brasileira para esses alunos da cidadania digital. E para isso, devemos saber do que estamos falando, atraves do nosso estudo, da nossa pesquisa pessoal sem depender de nunguem. Mas isso é só pra quem tem paixão pela profissão. Pra mim, professor é professor, sem a nem b, tem que ser completo, tem que saber da sua materia e pronto.

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  22. " como é possível que um doutor, formado em um programa de pós-graduação bem conceituado pela Capes, seja reprovado em um concurso para professor universitário?"

    É reprovado porque as bancas são compostas por professores dos próprios departamentos de História que geralmente sao de determinados grupos políticos. Esses grupos boicotam o acesso a docentes, por mais competentes que sejam,nos concursos e até mesmo nos exames para as vagas nos cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado)se não estiverem alinhados aos seus caprichos. É o que ocorre. Isso só mudará no dia em que, ao invés de serem os próprios professores a compor as bancas, os concursos sejam feitos por instituições organizadoras externas, como ocorre nos concursos em geral.

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  23. Muito bom.. Vou correr atrás para que um dia eu possa a vim seu um bom Prof. de Historia

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  24. Ótimo texto!!! Ótima Reflexão Histórica!!! Parabéns!!!

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  25. Pretendo me formar em História e dar aulas, quanta em média ganha um professor? Amo essa matéria e gostaria de passar conhecimentos. Vale a pena cursar?

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    1. Salaria de professor? Sobre o meu entendimento depende muito da região em que pretendo lecionar e quanto tempo está disposto a dedicar a isso. Conheci professores do ensino fundamental que com 3 empregos recebiam 3.000 por mês, extremamente dedicado e o foco dele era o ensino superior. ( A aula dele era um saco, era daqueles que sabia muito mas falava em uma linguagem não muito compreensível para adolescentes) . O salário base da minha cidade, que é interior do RJ, está em 940 R$. Se vale a pena? Só você pode responder.

      Abraços.

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  26. Cursar licenciatura em história é um plano muito próximo, embora eu lamente que o curso não seja integral, igualmente valorizada a área de pesquisa e da didática. Mas tenho dúvida sobre qual deve ser o nível do interesse sobre política de um professor de história. A política ainda é um assunto que desconheço e me confunde, principalmente do que se trata de direcionamento político (esquerda, direita) e saber encaixar os partidos nacionais nessas categorias. No mesmo nível de entendimento está o assunto: economia. Será que esses meus déficits podem indicar falta de vocação e preparo ?

    Gostaria muito de uma resposta, obrigado.

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  27. Prezado Prof. Fico, não tenho formação específica em História, mas a minha formação em Pedagogia (FEUSP/1970) traz no seu bojo a relação "História e Filosofia da Educação" (na época Conjunto de Filosofia e história da Educação) além da específica "Administração Escolar". Logo que terminei fui convidado pelo então Diretor da FEUSP para trabalhar como professor iniciante na FEUSP no Departamento de Administração Escolar. Recusei pelo fato de ter a oportunidade de trabalhar no campus de Corumbá da UEMAT (Hoje atual UFMS). Pois bem, ao trabalhar com meus alunos no curso de Pedagogia e os de Licenciatura com a disciplina Didática, eu tinha como linha articuladora "ensinar-aprender-e o contexto histórico", cujo complexidade o senhor, Prezado Professor, não chegou a tangenciar plenamente. E até hoje assim entendo o desvendamento da complexidade ensinar-aprender, um foco essencial para a formação de qualquer professor em qualquer nível de ensino, inclusive o chamado "pós-doc", s.m.j.. Eu me aposentei como Professor Titular justamente no momento em que fui convidado para dar aula na pós em Campo Grande (MS). À época, o então Presidente Collor aprovou um novo estatuto do funcionalismo público federal. Uma das finalidades desse estatuto era esvaziar as universidades federais para mais facilmente torna-las associadas ao capital ligado à Bolsa de Valores... Houve uma evasão de mais de 40% dos professores. Eu entrei no bojo, afinal entre me aposentar como Titular com todos os direitos ou ir para a Pós, eu fiquei com o primeiro pois sabíamos que com os próximos Presidentes os cortes ocorreriam como ficou patente durante a permanência do Príncipe dos Sociólogos na Presidência... Hoje eu tenho dois currículos: um Lattes e outro que "não-Lattes". No primeiro eu não posso anexar o que eu tenho no segundo: '"15 ex-alunos da Graduação" que hoje levam nos respectivos Lattes graus entre Ms e Docs. Confesso que estou bastante realizado com este meu "não Lattes"...

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