5 de outubro de 2011

Carreira do pesquisador: a difícil escolha do tema



1. MONOGRAFIA: A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA

A monografia é a modalidade de trabalho de conclusão de curso mais comum nos bacharelados em história. Regra geral, o graduando começa a pensar nela na metade final do curso, ali pelo quinto período. As regras variam de departamento para departamento, mas a escolha do tema costuma ser difícil para o aluno.

A definição do tema de uma pesquisa deve obedecer a alguns critérios. A "relevância científica", por exemplo, costuma ser medida pela capacidade que um trabalho tem de corrigir um erro ou uma lacuna do conhecimento. Do mesmo modo, a "originalidade" do enfoque também é levada em conta quando avaliamos a importância de um trabalho. Mas essas exigências não costumam ser feitas ao bacharelando.

Muito mais importante é que ele demonstre a viabilidade de sua proposta. Comumente, o aluno deve fazer um projeto antes da monografia. É o momento da escolha do tema, da demonstração de que a pesquisa é realizável. Como fazer isso?

No caso da monografia, o interesse pessoal e a exequibilidade são os critérios que devem prevalecer. A primeira experiência de pesquisa precisa ser estimulante. Um tema "chato" pode tornar o trabalho infindável. Do mesmo modo, o bacharelando não deve se propor uma tarefa impossível: um tema muito amplo ou para o qual não haja fontes é sempre uma escolha errada.

A construção de um problema é mais difícil do que sua solução. É preciso que o aluno passe por essa experiência, uma das etapas mais importantes da produção do conhecimento. Pedir uma sugestão ao orientador pode facilitar as coisas, mas não é o melhor caminho.

Entretanto, aproximar-se dos professores cujas pesquisas sejam de seu interesse é uma boa dica para o bacharelando. É preciso ter alguma familiaridade com o assunto, ler o que já se escreveu. Do mesmo modo, também é útil frequentar jornadas de iniciação cientifica ou outros eventos desse tipo.

Outra estratégia fundamental é o recorte do tema. O nome já diz tudo: trata-se de uma monografia, não de uma tese. Digamos que você se interesse pelos temas da "ditadura militar". Isso é muito amplo. Um recorte poderia ser, então, "a propaganda política da ditadura militar". Bem, ainda é muito amplo. Que tal estudar "as campanhas de utilidade pública da propaganda política da ditadura militar"? Talvez no mestrado. Algo bem recortado seria: "o personagem Sujismundo nas campanhas de utilidade pública da propaganda política da ditadura militar".

Por que é necessário recortar tanto? Evidentemente, para viabilizar o trabalho. O recorte preciso permite identificar um corpo bem definido de fontes. Além disso, a delimitação rigorosa permite que reunamos virtualmente tudo o que já foi dito sobre o tema - algo que seria impossível se o tema fosse muito abrangente.

Definido o tema, as coisas se tornam mais fáceis: fazer um bom levantamento bibliográfico e ler o que já foi escrito sobre o assunto - essas são as etapas mais importantes. Durante essas leituras algo muito interessante acontece: nós construímos mentalmente hipóteses explicativas. Você vai controlando mais e mais a sua pesquisa e, por isso mesmo, consegue perceber nexos explicativos, analíticos.

A monografia também é um bom momento para testar sua vocação: se a busca de um tema do passado, a construção de um problema histórico e o esforço de pesquisa para resolvê-lo forem muito prazerosos, não tenha dúvida, você nasceu para ser um historiador.

Brevemente tratarei da dissertação de mestrado e da tese de doutorado.

Um comentário:

  1. Ótimo texto. O final da graduação envolve muito conflito, reflexão, dúvidas de toda ordem, textos assim nos ajudam a organizar o pensamento e seguir em frente. Obrigado!

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