17 de março de 2012

Mestrado e atualização profissional

Carlos Fico

Em nossa área de História existem 93 cursos de pós-graduação espalhados pelo Brasil: 61 cursos de mestrado acadêmico, 30 cursos de doutorado e apenas dois cursos de mestrado profissional, um na FGV e outro, recentemente autorizado, que começará a funcionar em breve na FURG.

O mestrado profissional também é uma modalidade de pós-graduação stricto sensu: oferece o título de mestre com validade nacional e concede ao seu detentor os mesmos direitos concedidos aos portadores da titulação obtida nos cursos de mestrado acadêmico.

É muitas vezes utilizado, em outras áreas, para formação de pessoal qualificado em questões técnicas, buscando inovação e valorizando a experiência profissional.

É um formato que poderia servir, em nossa área, a um propósito importante: a atualização profissional dos professores da rede pública. Em artigo recente, Keila Grinberg chamou a atenção para o fato de que a área de ensino de história é negligenciada: “nenhum curso de pós-graduação se dedica a formar professores para a educação básica”.

Esse é um quadro que pode ser alterado através da implantação de mestrados profissionais voltados para a qualificação de professores. Esses cursos não devem ser vistos como mestrados menos importantes do que os acadêmicos: os pró-reitores de pesquisa e de pós-graduação têm um papel importante nesse sentido.

Os formatos podem ser variados: um mestrado profissional pode ser o terceiro curso de um PPG que já tenha mestrado acadêmico e doutorado. Também pode ser proposto por mais de uma instituição, em uma modalidade associada – opção que não sobrecarrega demasiadamente um único corpo docente.

O trabalho de conclusão do mestrado profissional também é regulamentado de maneira especial: além da dissertação tradicional, outras formas são admitidas.

Recentemente, divulguei na página da História no site da Capes os critérios que orientarão a análise das propostas de cursos novos que serão analisadas em 2012, inclusive para os mestrados profissionais.

Espero que a idéia frutifique e surjam várias propostas de qualidade.

Um comentário:

  1. Na condição de professor da rede pública, vejo professor Fico que quando se fala em investimento em educação, a classe política deste país se preocupa mais com ações visíveis (como construção de prédios) do que um planejamento a médio/longo prazo...
    Investir na educação passa também por uma melhor qualificação dos docentes, com menos horas em sala, com menos turma, mas com mais tempo do profissional olhar com mais atenção os seus alunos.
    Mais qualidade, menos burocracia e mais investimento na formação de qualidade do Magistério!

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