22 de abril de 2012

Apatia da juventude?



“Por que os jovens, hoje em dia, não têm uma atuação política forte como em 1968?”. Essa é uma das perguntas mais frequentes nas palestras que faço. Curiosamente, ela é feita pelos próprios jovens, que se considerariam, portanto, politicamente apáticos.

Há uma visão romântica sobre o movimento estudantil em 1968. Quando se fala em resistência à ditadura, a imagem que logo surge é a das passeatas estudantis. Acho que eu vi a foto do estudante dando um salto no ar, depois de jogar  uma pedra nos policiais, em todos os eventos que frequentei sobre o tema – e foram muitos.

Hoje, então, os jovens seriam politicamente apáticos já que não fazem passeatas numerosas ou enfrentam a polícia.

Não me parece que seja assim. Essa é uma visão descontextualizada. Se os jovens são apáticos porque não participam desse tipo de movimento “revolucionário”, os adultos também o seriam, já que virtualmente ninguém fala em revolução hoje em dia ou vai às ruas para combater a corrupção ou outros problemas.

Quando surgiu o importante movimento dos “cara-pintadas”, que ajudou a afastar Collor da presidência da República, os nostálgicos o saudaram como se ele fosse uma retomada dos velhos combates. É claro que esses movimentos massivos são importantes, até para o surgimento de novas lideranças políticas. Mas eles não são frequentes.

Quando as redes sociais passaram a ser amplamente usadas, muita gente acreditou – e ainda acredita – que elas tomariam o lugar das manifestações sociais presenciais, mas isso não tem sido assim. Elas funcionam como auxiliares nos preparativos e mobilização, mas os atos públicos nas ruas ainda são importantes.

Os escrachos ou esculachos do Levante Popular da Juventude têm repercutido bastante, até na grande imprensa, apesar de não serem massivos. Esses jovens – que nada têm de apáticos – acertaram ao usar o elemento surpresa e a imagem impactante para fazer uma manifestação eficaz, apesar de não numerosa. Provavelmente usaram a internet nos preparativos, mas não apostaram tudo nela.

Infelizmente, um das consequências da ditadura foi o descrédito em que caiu a atividade político-parlamentar e o não surgimento de novas lideranças: a classe política brasileira tem poucos jovens.  Isso não decorre de uma possível apatia política, mas de uma circunstância histórica. Com o tempo, as coisas mudam.

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