1 de maio de 2012

Terrorismo da direita armada

Carlos Fico


O maior atentado terrorista da história do Brasil: esse teria sido o resultado do atentado contra o Riocentro se a bomba, levada pelo capitão Wilson Machado e pelo sargento Guilherme Rosário, não tivesse explodido antes da hora. Isso ocorreu na noite de 30 de abril de 1981.

No pavilhão do Riocentro, no Rio de Janeiro, estava acontecendo um show em comemoração ao Dia do Trabalho. Havia cerca de 20 mil pessoas na plateia. Se a bomba tivesse explodido lá dentro teria sido uma tragédia, não só por seus efeitos diretos, mas por causa do pânico que se instauraria e das precárias condições de evacuação do local.

Os autores pretendiam atribuir o atentado à esquerda, algo que não faria sentido, já que a luta armada havia sido derrotada anos antes.

O público nada percebeu, mas foi avisado da explosão, após o término do espetáculo, pelo cantor Gonzaguinha.

O sargento morreu na hora e o capitão ficou com as vísceras expostas, mas resistiu e vive até hoje.

A apuração foi uma farsa e, por não concordar com a impunidade dos culpados, o famoso general Golbery do Couto e Silva, estrategista da abertura política, demitiu-se do governo em agosto.

No ano anterior, vários atentados foram cometidos por agentes do sistema repressivo, que estavam inconformados com as medidas de abertura política e o fim do regime militar. Muitas bancas (que vendiam jornais de oposição) foram atingidas. Em agosto de 1980, uma carta-bomba explodiu na sede da OAB e matou a secretária Lyda Monteiro.

A história da ditadura militar pode ser lida como a história da montagem e desmontagem do sistema de repressão. Logo após o golpe, militares radicais ficaram insatisfeitos com a moderação de Castelo Branco, primeiro presidente do regime militar, e tentaram ampliar o prazo para a aplicação das “punições revolucionárias”. Não conseguiram, mas viraram um grupo de pressão expressivo.

No ano seguinte, uma vitória parcial: o AI-2 reabriu a “Operação Limpeza” e a estendeu até o final do governo de Castelo. Essa é a origem da linha dura. Ela se tornou vitoriosa com o AI-5 (1968) e entrou em desespero com a abertura política anunciada por Geisel e continuada por Figueiredo. Daí os atentados.

Figueiredo sofreu um infarto menos de cinco meses depois do Riocentro.

Um comentário:

  1. Se um integrante da VPR não tivesse dado dois tabefes em uma criança, "A Noite de São Bartolomeu", operação descrita nos livros "Combate Nas Trevas" e "Lamarca - O Capitão da Guerrilha", não teria sido o maior atentado terrorista da história do Brasil?

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