30 de julho de 2012

Documentos inéditos da ditadura



Perguntas que não puderam ser respondidas ao vivo durante a videoconferência transmitida no último dia 9 de julho.


Pedro Beja: Com a abertura dos aquivos e com a possibilidade de qualquer pessoa perquisá-los, não há possibilidade de alguns documentos serem surrupiados ou “maquiados” por pessoas ligadas a eles?
Carlos Fico: Não. Os documentos ficam sob a guarda do Arquivo Nacional e não é possível adulterá-los.

Rodrigo Mello: Qual a importância, histórica e política, dos documentos, até então secretos, sobre o período anterior a 1964?
Carlos Fico: Nesses acervos há pouca coisa do período anterior a 1964, infelizmente. Trata-se de uma fase que bem merece maiores investigações.

fabtrevisan: Há alguma previsão para a digitalização total dos documentos?
Carlos Fico: Eu não pertenço aos quadros do Arquivo Nacional, então não sei dizer. Mas a digitalização é essencial e eu tenho notícias de que a instituição tem investido nisso.

Lucas: O senhor conhece a existência de alguma nova documentação inédita sobre o IPES, além do Fundo IPES já existente no Arquivo Nacional?
Carlos Fico: Não tenho notícia.

Seriedade e Respeito: Como tratar deste assunto em sala de aula no ensino médio?
Carlos Fico: Boa pergunta. Eu acho que nós temos de nos basear no que há de melhor na historiografia recente e usar as fontes em sala de aula como forma de atrair a atenção dos alunos. Trabalhar com as fontes é sempre estimulante e, agora, elas estão disponíveis.

paulojoaosilva: qual link da pagina dos pesquisadores no facebook?
Carlos Fico: http://www.facebook.com/groups/444546708903682/

Nei AN: Professor é possível saber através das fichas financeiras dos servidores quem recebeu gratificações do SNI?
Carlos Fico: Não encontrei esse material, então não sei responder.

MMarcia: Quais seriam os possíveis impactos causados pela divulgação dos documentos?
Carlos Fico: Veremos com o tempo: a documentação está sendo conhecida agora.

Denise Felipe: Gostaria que o professor falasse um pouco sobre o trabalho do historiador que lida com arquivos privados referentes à história recente.
Carlos Fico: Os arquivos privados desempenham um importante papel. Infelizmente, há pouca coisa disponível. Um bom conjunto de arquivos pode ser encontrado no CPDOC da FGV.

Silvana Araujo: Você acha que o fato desses documentos virem a conhecimento público pode causar a punição dos culpados mais tarde?
Carlos Fico: É possível que novas ações na Justiça surjam a partir de revelações contidas nesses documentos.

Alexandre de Souza: Todas as faculdades e pesquisadores terão acesso aos arquivos? Haverá algum tipo de restrição?
Carlos Fico: Não há restrição, todos podem ter acesso.

Raquel Fonseca: Pelo contato que você teve com a documentação você acha que é possível descobrir novas fontes sobre a Operação Condor?
Carlos Fico: O problema para encontrar registros sobre a Operação Condor no Brasil é que os militares brasileiros não admitiam a ideia de se subordinarem aos militares latino-americanos. Então, embora tenha havido colaboração, a menção ao nome “Condor” é rara.

Namur Barcellos: Onde acho documentações sobre o envolvimento do Brasil no Golpe do Chile? Só no SNI no Itamaray?
Carlos Fico: Não, é bom rastrear os documentos do SNI sobre “campo externo” e os do Centro de Informações do Exterior e da Divisão de Segurança e Informações do Ministério das Relações Exteriores.

Adson Rodrigo Silva: Quais ainda são as restrições em arquivos federais e estaduais? Todos os arquivos devem ser realmente abertos pela lei? Sugestão: professor, sugiro a confecção de um artigo sobre esses acessos e alguns desses instrumentos.
Carlos Fico: Todos os arquivos devem obedecer a lei. O importante é demandarmos essa abertura.

Leandro de Almeida: Até que ponto esses documentos revelam a relação entre a ditadura militar brasileira e a CIA (EUA)?
Carlos Fico: É mais fácil encontrar essas referências no arquivo norte-americano, o National Archives and Records Administration (NARA). Há muita coisa lá, tal como escrevi em meu livro “O grande irmão”.

Raquel Fonseca: Os arquivos do IPES, que já estavam no Arquivo Nacional com acesso parcial, estão liberados?
Carlos Fico: Têm de estar. Precisa pedir e, se tiver algum problema, reclamar.

Thomaz: Gostaria de saber como ter acesso a documentos sobre grupos guerrilheiros que se instalaram em áreas de fronteira. No meu caso, estudo grupos guerrilheiros que se instalaram na fronteira de Foz do Iguaçu com Ciudad del Este e Puerto Iguazu.
Carlos Fico: Uma boa idéia é pesquisar os fundos do SNI sobre “campo externo” e os do Centro de Informações do Exterior e da Divisão de Segurança e Informações do Ministério das Relações Exteriores.

Daniel Marques: Sugestão ao Carlos Fico: professor poderia permitir assinaturas em sua página do facebook, ficará mais fácil acompanhar suas postagens. Muito obrigado!
Carlos Fico: Para participar do grupo é só pedir que eu adiciono.

Milene de Souza: Os estados da região Norte participaram das resistências contra a ditadura militar?
Carlos Fico: As pesquisas sobre o impacto da ditadura na região Norte ainda são muito poucas. Uma boa ideia para detectar a existência de resistência e o acompanhamento dos órgãos de informações é a consulta aos acervos desse fundos no Arquivo Nacional. Dá para fazer uma busca pelos nomes dos estados e das principais cidades, por exemplo.

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