6 de dezembro de 2012

O mastro que Niemeyer não previu



O “mastro monumental” de Brasília não foi previsto pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Foi projetado por Sérgio Bernardes, em 1969, em plena ditadura e, segundo muitos arquitetos, desrespeita a concepção original segundo a qual o prédio do Congresso deveria ser a última coisa visível no Eixo Monumental – depois, só o horizonte.

O “Monumento ao Pavilhão Nacional”, como é chamado, foi construído às pressas em 1972 para que sua inauguração coincidisse com o Dia da Bandeira. A ideia foi do coronel Rubem Ludwig, que pretendia erguer um pequeno mastro na Praça dos Três Poderes. Entretanto, o governador do Distrito Federal, Hélio Prates, influenciado pelo arquiteto Sérgio Bernardes, optou pelo mastro monumental. Ele é montado a partir de 24 tubos de aço, representando os estados e territórios então existentes. No alto de seus 200 metros, a peça de nylon, de 280 metros quadrados. O conjunto é iluminado por holofotes fotoelétricos, de modo que a bandeira nunca precisa ser arriada quando escurece.

Milhares de pessoas acompanharam a solenidade de inauguração. Alto-falantes, postos na cobertura do Palácio do Planalto, anunciaram a fala do presidente Médici: “Ordeno que seja hasteada a Bandeira Nacional!”, lacônica e solene como o texto da placa que assinala a inauguração, na qual se leem as palavras que o coronel Octávio Costa – responsável pela propaganda política do regime –  redigiu: “Sob a guarda do povo brasileiro, nesta Praça dos Três Poderes, a bandeira sempre no alto – visão permanente da pátria”.

Distanciamento e monumentalidade que nem mesmo a comoção nacional causada pelo morte de Tancredo Neves, treze anos depois, conseguiria anular: a multidão que esperava a chegada do caixão pedia que a bandeira também ficasse a meio-mastro, em função do luto no país: “Baixa! Baixa!”, e a bandeira sempre no alto...

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