21 de agosto de 2016

Alto desempenho

Carlos Fico

Este não é um texto de análise histórica. Ele expressa opinião pessoal.

Afora o constrangimento que o nado sincronizado me causa, gosto de ver boa parte dos esportes olímpicos, apesar das enormes reservas que tenho em relação a esses eventos.

Gosto porque parece ser inerente a todos nós o desejo de saber quem faz mais pontos, quão alto, quão longe, quão rápido podemos ir.

Mas a valorização extremada da separação por nações acirra vocações xenofóbicas e desperta discursos sentimentalistas de congraçamento. Por outro lado, o chamado "atleta de alto rendimento" trabalha em ritmo desconcertante, sempre tem seu corpo gravemente prejudicado pelo esforço desmedido e, frequentemente, sofre consequências das enormes pressões psicológicas a que é submetido. Há estudos científicos que demonstram como esse tipo de prática é doentia, mas são ignorados. Esses atletas persistem como exemplos de "vida saudável".

A separação entre nações, a ação frenética que demanda homens e mulheres preparados em patamares acima do normal, a possibilidade de se machucar ou morrer e a pressão psicológica constante são características inerentes à guerra. Por isso, os militares sempre deram atenção especial às competições esportivas.

No Brasil, as Forças Armadas criaram, em 2008, o programa "Atletas de Alto Rendimento", tendo em vista os Jogos Militares de 2011. É um programa muito bem estruturado e que consome pequena parcela do orçamento do Ministério da Defesa. O jovem atleta interessado (homens ou mulheres) faz concurso e, se aprovado, torna-se terceiro-sargento, mas atuará, basicamente, como atleta em treinamento esportivo. O programa deu excelentes resultados nos jogos olímpicos no Rio de Janeiro neste ano. Que resulte em melhora da imagem das Forças Armadas é justo.

Muitos se incomodaram com os atletas militares prestando continência ao hasteamento da Bandeira e à execução do Hino. Não vejo problema nisso. Outra coisa chamou minha atenção: os atletas militares, em geral, pareciam psicologicamente mais bem preparados.

É bom que as Forças Armadas tenham criado um programa perene e bem estruturado nesses moldes. Deveria haver algo assim da parte dos ministérios da Educação e dos Esportes abrangendo as escolas. Isso traria benefícios para um número maior de pessoas e diminuiria a força do discurso segundo o qual todos podem "vencer" se adotarem um ritmo frenético de trabalho e desprezarem seu bem-estar físico e mental.

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